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A tireoidectomia felina é um procedimento cirúrgico de extrema importância no manejo das doenças endócrinas felinas, especialmente casos avançados de hipertireoidismo causados por adenomas ou adenocarcinomas da glândula tireoide. Esse procedimento, apesar de apresentar riscos, quando indicado e executado adequadamente, pode transformar a qualidade de vida dos gatos afetados, controlando sintomas incapacitantes e prevenindo complicações metabólicas graves, como a progressão para insuficiência cardíaca, descompensação de diabetes mellitus e crises hipertensivas. É fundamental entender as indicações, técnicas, riscos e o impacto da tireoidectomia no equilíbrio hormonal dos pacientes felinos, além de como essa cirurgia se encaixa na ampla abordagem do endocrinologista veterinário, certificada pelo CRMV-SP e entidades como o Colégio Brasileiro de Endocrinologia Veterinária (CBEV).O hipertireoidismo felino manifesta-se por sinais clínicos como polidipsia, poliúria, perda de peso paradoxal apesar do aumento do apetite, hiperatividade e, em alguns casos, manifestações dermatológicas que podem confundir-se com alopecia endócrina. A hiperprodução de hormônios tireoidianos, principalmente a T4 total e a T4 livre, altera o metabolismo, aumentando o consumo energético e promovendo catabolismo muscular, podendo descompensar patologias associadas como o diabetes mellitus ou agravar condições relacionadas ao sistema cardiovascular. Compreendendo o papel da tireoidectomia em gatos com hipertireoidismoFisiopatologia do hipertireoidismo e impacto das alterações hormonaisO hipertireoidismo felino é geralmente causado por adenomas benignos da tireoide, que produzem uma ativação excessiva da sintese e secreção de hormônios tireoidianos. Essa hiperatividade resulta em aumento do metabolismo basal, aumento da frequência cardíaca e ativação do sistema nervoso simpático, o que se reflete clinicamente em sinais como taquicardia, intolerância ao exercício, e disfunção gastrointestinal. A produção excessiva de T4 livre amplifica o turnover glicêmico podendo precipitar episódios de hiperglicemia, e em casos mais graves, cetoacidose diabética em gatos com diabetes mellitus concomitante. Diagnóstico laboratorial e exames complementares para indicação cirúrgicaO diagnóstico do hipertireoidismo deve ser confirmado por meio da dosagem sérica de T4 total, T4 livre e, quando indicado, do TSH para exclusão de hipotireoidismo central. Em situações com suspeita equívoca, exames de imagem como cintilografia tireoidiana permitem visualização detalhada do tecido tireoidiano aumentado ou ectópico. A avaliação complementar com ultrassonografia abdominal com foco nas adrenais é essencial para identificar condições associadas, como tumores adrenais ou discriminar sintomas causados por hiperadrenocorticismo, que pode coexistir e complicar o quadro clínico do paciente. Indicações e contraindicações da tireoidectomia felinaA cirurgia é indicada principalmente para pacientes que apresentam resistência ou intolerância à terapia medicamentosa com metimazol, efeitos colaterais severos e falha no controle glicêmico do diabetes mellitus concomitante. Pacientes com nódulos tireoidianos volumosos que causam compressão de estruturas adjacentes também são candidatos à tireoidectomia. Por outro lado, casos com insuficiência renal avançada, instabilidade cardiovascular severa e estados de emergência hormonal demandam estabilização prévia rigorosa antes da indicação cirúrgica, com o uso de protocolos específicos como trilostano para hiperadrenocorticismo e controle glicêmico com insulinoterapia adaptada. Antes de avançar para o manejo técnico e pós-operatório, é importante entender como a tireoidectomia dialoga com outros distúrbios endócrinos que igualmente impactam a qualidade de vida dos felinos.Tireoidectomia e o manejo integrado das doenças endócrinas felinasInterrelações com diabetes mellitus e controle glicêmicoAlterações hormonais da tireoide influenciam diretamente a resistência à insulina, afetando o manejo do diabetes mellitus felino. O excesso de hormônios tireoidianos pode elevar a glicemia, dificultando a estabilização com doses convencionais de insulina. A tireoidectomia pode melhorar a sensibilidade insulínica ao reduzir a base metabólica de hiperatividade, facilitando a normalização dos níveis glicêmicos e prevenindo complicações como neuropatia diabética e catarata diabética. Distúrbios associados: hipotireoidismo iatrogênico pós-cirúrgico e sua prevençãoUm dos desafios da tireoidectomia está na prevenção e manejo do hipotireoidismo primário, causado pela remoção excessiva do tecido funcional e não compensado por terapia substitutiva. O uso criterioso de levotiroxina após a cirurgia é fundamental para restabelecer os níveis fisiológicos e evitar sinais clínicos como letargia, ganho de peso, alopecia e intolerância ao frio. Monitoramento contínuo das concentrações de T4 livre e adaptações da dose são práticas fundamentais segundo protocolos do CRMV-SP e normas internacionais. Relação com doenças adrenais e triagem diagnósticaGatos com hiperadrenocorticismo (chamado síndrome de Cushing em felinos, raramente diagnosticado, mas descrito na literatura como hiperadrenocorticismo) podem apresentar sinais clínicos sobrepostos aos do hipertireoidismo. Avaliações laboratoriais detalhadas, como o teste de estímulo com ACTH, teste de supressão com dexametasona baixa dose, e ultrassonografia adrenal são imprescindíveis para diferenciar esses quadros, evitando procedimentos desnecessários e escolhendo um plano terapêutico integrado, podendo incluir o uso de mitotano ou trilostano, conforme indicado. Compreender essas nuances orienta o planejamento clínico e cirúrgico para cada gato, sublinhando a necessidade de um especialista qualificado, com registro CRMV para endocrinologia.Técnicas cirúrgicas, cuidados pré e pós-operatórios, e riscos associadosPreparação pré-operatória e estabilização clínicaO preparo do paciente para a tireoidectomia felina envolve a estabilização de comorbidades metabólicas, especialmente o controle rigoroso da glicemia utilizando curva de insulinoterapia e correção de possíveis distúrbios eletrolíticos. Monitoramento da pressão arterial e frequências cardíaca e respiratória são indispensáveis para minimizar riscos anestésicos. A administração pré-operatória de metimazol durante semanas pode ajudar a diminuir a vascularização da glândula e reduzir sangramentos intraoperatórios. Técnicas cirúrgicas: parcial versus totalA abordagem pode ser unilateral ou bilateral, dependendo da extensão do tecido adenomatóide. A tireoidectomia parcial preserva tecido funcional e reduz o risco de hipotireoidismo, porém pode manter tecido neoplásico residual. A total é recomendada para tumores malignos ou múltiplos nódulos. A utilização de técnicas de dissecção precisa e ligadura cuidadosa dos vasos tireoidianos evita complicações como hematomas e lesão do nervo laríngeo recorrente, prevenindo paralisias. Cuidados pós-operatórios: monitoramento hormonal e manejo da dorO pós-operatório imediato requer monitoramento intensivo para controle da dor, utilizando analgésicos adequados e anti-inflamatórios que não interfiram no metabolismo hepático. O monitoramento dos níveis de T4 livre e TSH é realizado periodicamente para ajustar a terapia de reposição hormonal. Investigação de distúrbios como hipocalcemia por lesão inadvertida das glândulas paratireoides durante o procedimento é fundamental, com suplementação de cálcio vigilante em caso de sinais clínicos. Riscos e complicações: hipotireoidismo, paralisia, e recidivas tumoraisComplicações cirúrgicas inclue a hipotireoidemia iatrogênica, hemorragias, infecções, além da paralisia temporária ou permanente do nervo laríngeo, manifestada por alterações na voz ou dificuldades respiratórias. Há ainda veterinário endocrinologista sp de recidiva tumoral, principalmente em tireoidectomias parciais. Por isso, o acompanhamento regular clínico-laboratorial, incluindo exames frequentes de TSH e ultrassonografia cervical, é mandatário a longo prazo. Esses cuidados reforçam a complexidade do manejo e a importância de um trabalho multidisciplinar firmado em especialização e boas práticas reconhecidas pelo CRMV-SP.Alternativas terapêuticas e quando optar pela tireoidectomiaTratamento medicamentoso com metimazol: benefícios e limitaçõesMetimazol é o tratamento padrão inicial para hipertireoidismo, bloqueando a síntese de hormônios tireoidianos e oferecendo controle clínico eficaz em muitos casos. No entanto, eventos adversos como anorexia, vômitos e alterações hepáticas limitam seu uso, especialmente em gatos idosos com comorbidades como diabetes mellitus. A necessidade de administração contínua e monitoramento rigoroso do fruticosamina e glicemia pode ser desafiadora para tutores, tornando a tireoidectomia uma opção mais definitiva. Terapia com iodo radioativo e considerações práticasA terapia com iodo-131 é um método minimamente invasivo e efetivo para tratar hipertireoidismo, destruindo tecido tireoidiano hiperfuncional. Apesar das vantagens, o custo elevado, necessidade de instalações específicas e restrições regulatórias do CRMV-SP limitam seu uso no Brasil, mantendo a tireoidectomia como alternativa mais acessível em muitos casos. Tireoidectomia como abordagem definitiva e custo-benefícioEm casos selecionados, a tireoidectomia oferece a vantagem do controle duradouro da doença, melhora do metabolismo e prevenção dos efeitos adversos da terapêutica medicamentosa. Avaliar os custos associados ao procedimento comparado às despesas prolongadas com medicamentos e monitoramento é essencial para decisões compartilhadas entre veterinário e tutor, fundamentadas na melhora da qualidade de vida do gato. A seguir, um guia prático para ajudar tutores e veterinários a tomarem decisões rápidas e bem informadas.Resumo prático e próximos passos para tutores e veterináriosPacientes felinos com diagnóstico de hipertireoidismo devem ser encaminhados para avaliação endocrinológica especializada para definição do tratamento, seja medicamentoso, radioterápico ou cirúrgico. A tireoidectomia felina figura como opção eficaz para casos refratários à medicação ou com contraindicações para outras modalidades. Solicitar exames específicos como dosagens de T4 total, T4 livre, TSH, fruticosamina, além de ultrassonografia com foco na tireoide e nas adrenais, fornece o embasamento necessário para conduzir o caso. Após a cirurgia, o monitoramento clínico-laboratorial rigoroso é imprescindível, com ajustes na reposição hormonal e acompanhamento do controle glicêmico, prevenindo crises endócrinas como addisoniana e tempestade tireoidiana. Em situações de instabilidade metabólica aguda, o encaminhamento imediato para emergência veterinária é vital para estabilização e suporte intensivo. Por fim, trabalhar com um médico veterinário especializado, registrado no CRMV e com experiência em endocrinologia, garante o melhor prognóstico e manejo humanizado da saúde do seu felino. Marque uma consulta endocrinológica e inicie o protocolo diagnóstico e terapêutico adequado para garantir equilíbrio hormonal e qualidade de vida ao seu pet.